
Por que algumas pessoas se suicidam?
Jurandir Pereira
Um bom exemplo para refletir
sobre a situação caótica do suicídio são as estatísticas. O suicídio é
sempre um tabu, inclusive nas escolas, onde deveria ocorrer maior
abertura para tratar do assunto. Não cremos que essa indiferença seja
insensibilidade dos gestores e educadores, mas o "receio de lidar com o
desconhecido", pois sabemos que dificilmente se ensina espiritualismo
como matéria escolar. Nos meus primeiros anos escolares tive aulas de
"religião" e posteriormente aboliram a matéria e não a substituíram pelo
espiritualismo pensando-se que este também se tratava de "religião".
No mundo inteiro, o suicídio está entre as cinco maiores causas de morte
na faixa etária de 15 a 19 anos. Os métodos de suicídio variam entre
países. Em alguns países, por exemplo, o uso de pesticidas é um método
comum de suicídio, contudo, em outros, intoxicação com medicamentos e
gases liberados por carros e o uso de armas são mais freqüentes. Meninos
morrem muito mais de suicídio que as meninas; uma razão pode ser porque
eles usam métodos violentos mais freqüentemente que as meninas para
cometer suicídio, como enforcamento, armas de fogo e explosivos.
Entretanto, em alguns países o suicídio é mais freqüente entre meninas
entre 15 e 19 anos que entre meninos da mesma idade. Nas últimas décadas
a proporção de meninas usando métodos violentos tem aumentado.
Reconhecer uma pessoa jovem em sofrimento, que precisa de ajuda,
normalmente não é o problema. Saber como reagir e responder frente a
crianças e adolescentes suicidas é muito mais difícil. Alguns têm
aprendido a lidar com o sofrimento e com os suicidas através da
sensibilidade e do respeito, enquanto outros não. As habilidades deste
último grupo devem ser aprimoradas. O equilíbrio a ser alcançado no
contato com o suicida está em algum ponto entre a distância e a
proximidade, e entre empatia e o respeito.
O respeito e empatia não são técnicas profissionais especializadas da
medicina ou da psicologia. São atitudes humanas comuns, de pessoa para
pessoa. São posturas desprovidas de receio e preconceito, necessárias em
qualquer relação interpessoal. Os respeitosos despertam a confiança nos
pretensos e estes, percebendo a disponibilidade natural e o interesse
sincero pelas suas dificuldades, muitas vezes desistem de planos
sinistros de auto-destruição pelo suicídio ou destruição dos outros,
pela violência homicida. Estar disponível para ouvir e compreender não
significa assumir a responsabilidade de resolver os problemas dos
outros. As pessoas que pedem ajuda têm consciência de que elas é que
devem tomar decisões sobre seus problemas e quando buscam alguém para
conversar só querem compartilhar seus sentimentos. Não é preciso ter
medo de lidar com essas situações limites. Pior é se omitir, alegando
despreparo.
O suicídio não é um flash incompreensível da depressão: muitos suicidas
dão avisos suficientes e oportunidades para intervenção. Na prevenção do
suicídio, os respeitosos encaram um desafio de grande estratégia
importante, no qual é fundamental.
Vejamos algumas sugestões para contribuir para a diminuição dessas
estatísticas drásticas de mortes prematuras de jovens e crianças:
a) identificar os pretensos com transtornos de personalidade e oferecer
apoio psicológico;
b) criar vínculos próximos com os jovens conversando com eles e tentar
compreendê-los e ajudá-los;
c) aliviar estresse mental;
d) ser observador e treinado para o reconhecimento precoce de
comportamentos suicidas, seja através de comunicações verbais e/ou
mudanças de comportamentos;
e) desmistificar os transtornos mentais e ajudar a eliminar o abuso de
álcool e drogas;
f) encaminhá-los para o tratamento de transtornos psiquiátricos, e abuso
de álcool e drogas;
g) restringir o acesso dos estudantes a métodos possíveis de suicídio –
drogas tóxicas ou letais, pesticidas, armas de fogo e outras armas, etc.;
h) se as sugestões acima não forem satisfatórias, recomenda-se obter
esclarecimentos em instituições espiritualistas.
Junho 2009
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